[Crítica] Song Sung Blue (2025)
Um espetáculo de sons em que o roteiro não desafina




Mais uma vez, a indústria cinematográfica aposta no gênero musical, e a Universal Pictures apresenta o longa Sing Song Blue, dirigido por Craig Brewer. O filme parte de uma proposta clara e bem definida dentro do gênero, desta vez com a intenção de explorar a história verídica da dupla de cantores americanos Mike e Claire Sardina, casal que alcançou grande sucesso sob o nome artístico Lightning & Thunder.
O roteiro se desenvolve de forma dinâmica e bem estruturada, assumindo traços típicos de um filme familiar norte-americano. À medida que a narrativa avança, a trama apresenta conflitos reais vivenciados pelo casal, sem suavizar excessivamente suas dificuldades. O longa também presta homenagens diretas aos verdadeiros artistas, utilizando fotos e vídeos de arquivo que reforçam o caráter biográfico da obra.
As atuações de Hugh Jackman e Kate Hudson se destacam positivamente. Ambos entregam performances convincentes, capturando a essência do estilo musical da dupla, a forma como se comportavam nos palcos e a energia contagiante presente nas apresentações. Paralelamente, quando o roteiro mergulha em momentos mais dramáticos e emocionalmente densos, os atores mantêm a consistência de suas interpretações, sustentando com competência o peso narrativo exigido.
No aspecto técnico, a produção realiza um bom trabalho especialmente no figurino e na paleta de cores, que dialogam diretamente com as décadas de 1980 e 1990, período em que a história se passa. Esses elementos conferem carisma e leveza à narrativa, além de despertar uma sensação de nostalgia que aproxima o espectador da época de maior sucesso do casal.
Entretanto, nem tudo funciona plenamente. Apesar dos acertos, o roteiro falha em um de seus aspectos centrais ao tornar previsível o desfecho da história, deixando claras, com antecedência, as direções que a narrativa irá tomar até seu encerramento. Felizmente, não é algo que atrapalhe a experiência.
Em síntese, Sing Song Blue compreende sua proposta e segue um caminho narrativo objetivo e bem definido, sem excessos ou alongamentos desnecessários. O filme não busca reinventar sua história, mas apresentá-la de forma fiel aos fatos, valorizando a relação entre narrativa, música e emoção, o que resulta em uma experiência envolvente e tecnicamente competente.



